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Um livro de mistéio, amor, ação, magia, aventura e orixás na cultura afor-baiana.
Era um pacto muito estranho: ambos concordaram em assinar o documento em pergaminho, com sangue das suas próprias veias. Retiraram o líquido, ainda quente, e misturaram com um, produto anti-coagulante, enquanto a temperatura do corpo de um foi reduzindo, causando-lhe tremor nas mãos.
Um calafrio invadiu a espinha dorsal, embotando o cérebro de incertezas, enquanto com movimentos atabalhoados, indagou ao pegar a caneta:
-É... Definitivo?...
-Sim... Até a morte!
-E se eu me recusar?
-Bem... É uma questão de vida ou morte; todos perderemos; e você... Poderá ser manchete amanhã nas primeiras páginas policiais, vítima de um "acidente"...
-Como assim?
-Amanhecerá como "presunto", com a boca cheia de formigas!
-É... Vejo que não tenho mesmo outra alternativa não é? Não poderíamos adiar, para pensarmos melhor?
-Não. No momento em que entrou nesse ambiente, passou a correr risco de vida. Deve guardar sigilo absoluto, caso contrário...
-Mas... Não me interessa contar o nosso segredo!...
-Creio que não. Mas, em todo caso, quando sair será vigiado para não denunciar-me. Sabe o que isto significa não é?
-Não se preocupe, cumprirei a minha parte.
E limpou o rosto trêmulo com a costa úmida da mão direita. O suor escorria frio e ondulante sobre o cenho travado, franzido, por constantes preocupações. Suavam-lhe as mãos, tremiam-lhe as pernas e todo o seu ser. Assinaria ali, sua sentença de morte.
Dessa assinatura dependia a maior realização de seus sonhos ou... só Deus sabe!...
E se não der certo? Será que ficarei prejudicado para sempre?
O cientista ria sadicamente ante a hesitação de Zulu, com a caneta vibrando em sua mão trêmula, enquanto o anfitrião, firme, assinou com um sorriso de hiena desenhado nos lábios.
Seu riso traduzia a conquista de um grande empreendimento. Um misto de sobrenatural repugnante, acobertado pela ciência. Um sorriso à Mona Lisa, que ocultava mistérios, decifráveis à luz de um provável passado sombrio.
E ria... Ria gostosamente, enquanto Zulu, ao grafar, pensava na possibilidade de perder a sua liberdade, e do prazer de ir e vir, onde bem o desejasse, sem interferência de quem quer que seja. |
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